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CRÔNICAS
Crônica de João Carlos Pereira
"Entre a poesia e a lição de viver"
Sempre soube que o ser humano é um cristal delicado, mas foi no emocionante show de lançamentodo cd “Nossas Canções”, de Mário Cantuária e Romeu Santos Neto, que ouvi uma frase que sedimentou, acho que para sempre, essa certeza. Entre uma composição e outra, Mário, referindo-se a Romeu, disse que quem precisa decuidados especiais somos nós. O que Romeu perdeu na lógica do pensamento amadurecido, Deus compensou com uma sensibilidade rara e fez dele poeta.

Houve um momento da vida, quando as esperanças e os sonhos em relação ao mundo ainda não ficavam demasiadamente expostos ao sol e, por isso, conservavam a (vã) possibilidade de existir, em que achei que podia viver de brisa e de filosofia. A realidade do mundo, porém, me impôs novas utopias. As pontes de safena vieram depois e, além de renovar o coração, ajudaram a rever conceitos e quebraram um monte de paradigmas. Tudo que entope o circuito das veias - estresse, o excesso de atividades, os cansaços inúteis, as brigas desnecessárias, os conflitos sem nenhum valor - passou a ter menos peso e a poesia da vida voltou a ocupar o lugar que um dia foi seu. Acho que, por estar meio distante da essência cruel do mundo, o coração de Romeu Neto vive em estado de primavera.

Os cuidados especiais de que o homem necessita para se manter vivo nada mais são do que o básico do básico que uma existência pode querer. Não penso, em momento algum, em luxo, mas em dignidade. Não me refiro ao conforto material, tão necessário e tão bom, mas ao equilíbrio. Creio, sobretudo, na felicidade, que nasce da existência do amor, da presença dos amigos, do circuito familiar e do vigor que os sonhos possam ter. Sem isso, sem esses elementos fundamentais a uma cesta básica do viver, o homem começa a precisar de respiradouro artificial. Sem ele, a cor dos olhos da vida se desfaz.

Para quem atravessa os dias indiferente às flores e ao vento, olhando apenas para o trânsito e para o noticiário de economia, pensando nas coisas da política, fazendo ginástica sem um pingo de prazer, ou comendo sem fome, só para tapar os vazios da existência, a poesia é mesmo o nada a ver do nada a ver. Mas para quem trata a vida com respeito, ainda que esteja envolvida pela aspereza do trabalho, dos negócios e da política, é possível perceber, como diria Willian Black, o universo num grão de areia e a eternidade numa flor, a poesia haverá de ser o sal da vida.

Um dia desses, perto da hora do almoço, passei por uma rua onde, pude ouvir canto de pássaros. Atravessei um quarteirão inteiro, ao som de passarinhos, quase sem acreditar em meus ouvidos. Também nesses dias tenho visto pés de viuvinhas cobertos de flores e as acácias lindas, no melhor de sua forma. 
Apesar do calor, o céu está maravilhosamente azul e de vez em quando chove para refrescar. Acho que esse começo de verão está me deixando meio romântico. Se eu soubesse fazer versos, talvez compusesse uns poemas de muito amor e os depositaria nas mãos que me acariciam o rosto e que me envolvem no afeto. Como não sou poeta, me valho da poesia (de Romeu Neto), do vento, das tardes, das flores e dos passarinhos para achar que viver é bom. É difícil, muito difícil, eu sei, mas é bom.

Crônica de João Carlos Pereira, professor, jornalista e membro da Academia de Letras do Pará, publicada no Jornal O Liberal.
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